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12º Seminário discute desafios e perspectivas para avaliar programas de educação integral

13 de Outubro de 2015 • Fundação Itaú Social • 0 Comentários

A diversidade de modelos de educação integral gera possibilidades distintas para impactar a formação do estudante em suas dimensões afetiva, física, ética e intelectual. Que desafios a avaliação de projetos sociais encontra ao analisar esses diferentes arranjos e modelos de políticas? Estes foram os temas debatidos no 12º Seminário Itaú Internacional de Avaliação Econômica de Projetos Sociais.

A educação integral pressupõe um conjunto de estratégias para o desenvolvimento pleno do ser humano, a partir da ampliação de tempos, espaços e conteúdos de aprendizagem. Nesse sentido, reconhecer os conhecimentos adquiridos tanto na escola, quanto na cidade, na comunidade e no contexto familiar é condição fundamental para a construção de iniciativas de educação integral de qualidade. As formas como os governos têm desenvolvido políticas públicas e programas com esse propósito são diversas e, em grande medida, recentes. Como verificar a efetividade dessas iniciativas, dados os resultados esperados das intervenções sociais e a diversidade de modelos adotados? Essas foram questões centrais do 12º Seminário Itaú Internacional de Avaliação Econômica de Projetos Sociais, realizado em 5 de outubro, em São Paulo.

As avaliações educacionais brasileiras de larga escala, como Prova Brasil e Provinha Brasil, são desenhadas para subsidiar análises de sistemas educacionais. No entanto, seriam as informações que estão sendo levantadas suficientes para verificar o impacto de programas de educação integral? Natacha Costa, diretora do Centro de Referências em Educação Integral e participante de uma das mesas do Seminário, problematiza: “O que se consegue avaliar em larga escala são as competências específicas de disciplinas e, por isso, tendemos a transformá-las em nossos objetivos. Porém, essas métricas são muito limitadoras, não podem ser as guias de um projeto educativo contemporâneo. Precisamos pensar em métricas que considerem o contexto, os processos das escolas e as multidimensionalidades”, diz.

Um outro desafio a ser considerado pelas avaliações foi levantado, no evento, por Macaé Evaristo, Secretária Estadual de Educação de Minas Gerais. Os programas de educação integral buscam ampliar repertórios socioculturais e a capacidade de circulação inclusiva dos estudantes. Esses objetivos têm como pano de fundo a redução das desigualdades sociais historicamente construídas no Brasil. Avaliar se estão sendo alcançados é verificar se os programas estão ou não contribuindo para a equidade. “Antes de avaliarmos seu desempenho, precisamos entender qual é o contexto em que os estudantes estão inseridos, o que provoca o abandono, se sofrem brutalidades, se estão se alimentando. Se os jovens não vão à escola, algum direito seu está sendo violado”, problematiza Evaristo.

Naercio Menezes Filho, especialista do Insper e da Universidade de São Paulo, participou do Seminário e comentou que as políticas de educação integral apresentam desafios metodológicos para avaliação. Afinal, normalmente, um único recorte de metodologia não é suficiente para dar conta da complexidade das iniciativas. “Podemos avaliar ações realizadas dentro e fora das escolas, como as disciplinas de sala de aula ou atividades culturais e esportivas, que desenvolvem habilidades socioemocionais”, diz. “O grande desafio não é apenas mensurar se os projetos contribuem com o desenvolvimento dos alunos, mas que tipos de atividades trazem mais benefícios e que tipos de habilidades são mais impactadas. É uma grande diversidade de fatores e de resultados a serem analisados”, explica.

A experiência norte-americana

Experiências norte-americanas na avaliação de programas de educação integral também foram discutidas no Seminário. Barton Hirsch, da Northwestern University; Matthew Kraft, da Brown University; e Joshua Goodman, da Harvard University, apresentaram análises que conduziram nos Estados Unidos.

Hirsch e Kraft apresentaram estudos com propostas similares. Em After School Matters, Barton Hirsch analisou o resultado de atividades complementares para estudantes do ensino médio público de Chicago, conduzidas por instrutores selecionados, com foco em inserção no mercado de trabalho. “O desemprego é um risco iminente para esses jovens; prepará-los para lidar com as entrevistas de emprego e com os desafios do mercado de trabalho é um propósito importante abraçado pela rede de ensino”, explicou. Com o desenvolvimento de competências como relacionamento interpessoal e autocontrole, os estudantes se saíram melhor nas simulações de entrevista de emprego realizadas por profissionais de Recursos Humanos – e isso foi muito valorizado no programa.

Matthew Kraft compartilhou sua experiência em Boston com o estudo How to Make Additional Time Matter, de tutoria individualizada para alunos do ensino médio que possuíam defasagem de aprendizagem. “Mais tempo, apenas, não resolve os problemas educacionais. Mas a forma como aproveitamos esse tempo, complementando as aulas tradicionais, é benéfica”, disse. Ambas as pesquisas problematizam o equilíbrio, nos programas de educação integral, entre atividades que reforcem o desempenho acadêmico e que contribuam para o desenvolvimento social e profissional dos alunos.

Já Joshua Goodman apresentou uma proposta de complementação escolar para reduzir a reprovação e garantir a permanência de estudantes na transição do ensino fundamental para o médio. A estratégia propõe dose dupla de aulas de álgebra. “A maioria passou de ano e, com mais dados posteriores, descobrimos até que ingressaram e permaneceram mais tempo na faculdade”, concluiu.

O consenso entre os participantes do Seminário foi de que a educação integral está sendo crescentemente valorizada nos últimos anos; que o foco deve ser sempre o contexto de cada aluno; e que a as avaliações de programas e políticas de Educação Integral precisam responder aos desafios que essas iniciativas demandam, sinalizando melhorias e pontos de aprimoramento. Participaram da programação do evento, também, Ricardo Paes de Barros (Insper), Helena Bomeny (Secretaria de Educação do Rio de Janeiro), Clarissa Teixeira e Karen Mendes (Fundação Itaú Social). Antonio Bresolin, Angela Dannemann e Patricia Guedes, da Fundação Itaú Social, mediaram as falas.

Veja a programação do Seminário

 

 Assista os melhores momentos do seminário

 


Materiais

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Conheça os especialistas que participaram do seminário 

Barton J. Hirsch (Northwestern University)

 

Joshua Goodman (Harvard University)

 

Matthew A. Kraft (Brown University)

 

Naercio Menezes Filho (Insper, USP e Fundação Itaú Social)

 

Natacha Costa (Diretora da Associação Cidade Escola Aprendiz)

 

Ricardo Paes de Barros (Professor titular da Cátedra Instituto Ayrton Senna no Insper)

 

Helena Maria Bomeny Garchet (Secretária Municipal de Educação do Rio de Janeiro)

 

Macaé Maria Evaristo dos Santos – Secretária Estadual de Educação de Minas

 

Maria Amabile Mansutti - Coordenadora técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária

 

 

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