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Avaliação Programa Escola Integrada de Belo Horizonte

23 de Junho de 2015 • Fundação Itaú Social • 0 Comentários

A cidade de Belo Horizonte foi um dos municípios pioneiros no processo de implementação da Educação Integral no Brasil. Em 2006, com o objetivo de transformar a capital mineira em uma grande sala de aula, o Programa Escola Integrada interligou as propostas pedagógicas das escolas municipais aos diversos espaços da cidade, por meio da realização de parcerias e articulação intersetorial.

Infográfico resume Programa Escola Integrada

Imagem 1: Infográfico resume Programa Escola Integrada

Em conformidade com as expectativas dos gestores da política e buscando o aprimoramento das ações, a Fundação Itaú Social realizou a assessoria para implementação da política e duas avaliações com focos distintos:

  • Em 2007, cerca de um ano após o início do programa, avaliação dos hábitos e atitudes dos alunos
  • Em 2010, cerca de quatro anos após o início do programa, avaliação do desempenho escolar.

Como avaliamos, a metodologia e as transformações

Em 2007 foram entrevistas 2.675 famílias, em 30 escolas – 15 integrantes do programa e 15 não integrantes. A avaliação contou com as informações da rede municipal de ensino; Ministério da Educação; Prefeitura de BH e outros órgãos, além de microdados disponibilizados pelo INEP e de avaliação do conhecimento aprendido.

A adesão ao programa, tanto por parte das escolas quanto por parte das famílias, é voluntária. Para formar os grupos de comparação foram escolhidos alunos com características individuais, sociais e econômicas o mais similar possível ao grupo de tratamento. Em uma mesma escola participante, por exemplo, há alunos que participam e que não participam. Assim, foi possível observar as diferenças de comportamento entre o Grupo de Tratamento (GT) – famílias e alunos participantes – e dois grupos de comparação: o grupo de Comparação 1 (GC 1) – famílias e alunos não participantes dentro das próprias escolas integrantes do programa -; e o Grupo de Comparação 2 (GC 2) – famílias e alunos de escolas não integrantes.

Para essa avaliação utilizamos a metodologia de pareamento por Escore de Propensão, além de variáveis de controle nos modelos de regressão. Buscou-se  igualar o grupo de controle e os grupos de tratamento com as seguintes características:

  • Alunos: Idade; sexo; raça;
  • Responsáveis: Idade; sexo; anos de estudo;
  • Família e Domicílio: sexo do chefe de família; status do domicílio; infraestrutura; tipologia de posse de bens;  recebimento de benefício de transferência de renda;  número de cômodos per capita;
  • Escola: Infraestrutura; perfil do corpo docente; taxa de distorção idade-série; taxa de abandono; proficiência média dos alunos; índice de vulnerabilidade social e índice de complexidade socioeconômica.;

 

Tabela comparativa de hábitos entre escolas participantes e não participantes

Imagem 2: Tabela comparativa de hábitos entre escolas participantes e não participantes

Assista o vídeo e entenda como o projeto foi avaliado

 

Alocação do tempo

  • Como esperado, os alunos participantes aumentaram o tempo alocado em estudo, lazer e esportes dentro da escola (153, 42 e 29 minutos diários, respectivamente, em relação ao GC2).
  • Fora da escola, as atividades de estudo e lazer diminuíram um pouco (-11 e –24 minutos diários, respectivamente, em relação do GC2), mas o tempo gasto com atividades culturais e esportivas aumentou (13 e 9 minutos diários, respectivamente, em relação do GC2).
  • A compensação do tempo extra de permanência na escola parece ocorrer, principalmente, com a diminuição do tempo gasto assistindo à televisão (-34 minutos em relação ao GC2). Também há evidências de pequenas reduções no tempo gasto com afazeres domésticos, atividades remuneradas e horas de descanso.

 

O que aprendemos?

Cinco papeizinhos trazem os aprendizados com o Programa Escola Integrada

Imagem 3: Cinco papeizinhos trazem os aprendizados com o Programa Escola Integrada

Para saber mais sobre a avaliação, acesse o sumário executivo e os relatórios de avaliação Hábitos e Atitudes dos alunos (Relatório de 2008) e Desempenho Escolar (Relatório de 2011), disponíveis para download ao final da página.

Textos Alternativos e Descritivos das Imagens:

Imagem 1: No centro da imagem, há um círculo na cor amarela com uma representação gráfica de um professor e uma lousa, ambos na cor branca, e três alunos na cor azul. Ao redor do círculo, estão quatro caixas em tons de laranja com imagens representando escolas e universidades. Quatro retângulos, contendo textos, estão ao redor do desenho ao centro. Eles explicam de forma resumida como o Programa Escola Integrada de Belo Horizonte funciona: “Interligando as propostas pedagógicas aos diversos espaços da cidade, como: escolas, creches, empresas, etc. Estudantes universitários monitorando oficinas oferecidas dentro e fora da escola. Professor comunitário articulando a relação escola versos comunidade. As escolas que integram o projeto oferecem 9 horas diárias de atendimento aos estudantes”. Abaixo dessa representação gráfica, existe o seguinte texto: “Alunos participantes: na maioria, negros, até 9 anos, vão a pé para a escola. Os responsáveis: na maioria, mulheres com baixa escolaridade, não casadas, residentes em Belo Horizonte há até 10 anos, em busca de trabalho e dependente de Programas de transferência de renda.”

Imagem 2: Uma tabela com duas colunas e oito linhas traz as transformações ocorridas com os alunos participantes do Programa Escola Integrada de Belo Horizonte. Nas colunas, os resultados de escolas participantes e de escolas não participantes, comparados aos seus respectivos grupos de controle. Nas linhas, os impactos são: maior diversificação da alimentação; maior interação social com familiares, colegas de classe e professores; acesso à informação e cultural geral; melhores hábitos de higiene em relação a ambos os grupos; leitura de livros, jornais e revistas; uso do computador; maior participação em atividades culturais e esportivas; e maior interesse e dedicação. Houve impacto positivo em sete indicadores, sinalizados na tabela com um símbolo de verificado, na cor verde. A exceção é relação à participação em atividades culturais e esportivas, que não houve impacto e, na tabela, está sinalizado com uma letra xis na cor vermelha. Alguns dos indicadores, trazem números percentuais que indicam em quanto foram os respectivos aumentos. Na diversificação alimentar, as escolas participantes aumentaram em 8 pontos percentuais contra o grupo de controle, enquanto as escolas não participantes aumentaram em 12 pontos se comparado com o seu grupo de controle. Quanto ao acesso à informação e cultural, as escolas participantes aumentaram em 9 pontos percentuais contra o grupo de controle, enquanto as escolas não participantes aumentaram em 7 pontos. Na leitura de livros, jornais e revistas, as escolas participantes aumentaram em 7 pontos percentuais e as escolas não participantes, 9 pontos. E quanto ao uso do computador, as escolas participantes aumentaram em 26 pontos percentuais e as escolas não participantes, 35 pontos. Entre os anos de 2006 e 2007, muitos impactos foram maiores em escolas que apresentaram maior vulnerabilidade social. Entre os anos de 2008 e 2010, o Programa mostrou evolução em Matemática e Português. A nota de Matemática aumentou em 6 pontos percentuais nas escolas com o programa em relação a outras e em 9 pontos percentuais em escolas com menos de um ano de projeto. Quanto maior a nota inicial do aluno, maior o impacto positivo. A nota de Português aumentou em 4 pontos percentuais nas escolas com o programa em relação a outras e em 6 pontos percentuais em escolas com menos de um ano de projeto.

Imagem 3: Cinco pequenos papéis quadrados listando os principais aprendizados da avaliação. Os títulos estão em azul e as explicações, em preto. “Efeito Transbordamento: Os alunos que não participaram diretamente do Programa parecem se beneficiar das mudanças. A chance de um aluno subir de nível é maior para os grupos de não participantes em comparação a alunos de escolas não participantes. Efeito Equitativo: O Programa promoveu a redução da desigualdade de aprendizagem. Quanto menor a nota inicial, maior a variação positiva. Rotina das mães: É possível detectar um pequeno efeito de substituição do tempo, de afazeres domésticos para atividades remuneradas. Alocação do tempo: Os alunos não parecem deixar de fazer outras atividades fora da escola, mas apenas ocupam o tempo ocioso. Ambiente propício ao desenvolvimento: Contribuiu para a mudança de hábitos associados ao melhor aproveitamento do aluno, dentro e fora da escola.”

Sumário Executivo - Avaliação Escola Integrada de BHBaixar arquivo
Relatório de Avaliação - Escola Integrada - 2008Baixar arquivo
Relatório de Avaliação Escola Integrada de BH - 2011Baixar arquivo

Veja também

A construção de grupo de controle para avaliação econômica de projetos sociais: desafios, vantagens e desvantagens

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