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13º Seminário Internacional de Avaliação Econômica

O Seminário Itaú Internacional de Avaliação Econômica de Projetos Sociais tem como objetivo debater boas práticas de avaliação econômica.



13º Seminário Internacional de Avaliação Econômica - Tereza Izquierdo e Francisco Gallego

13º Seminário de Avaliação Econômica - entrevista com Tereza Izquierdo e Francisco Gallego.

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Transcrição

00:00 a 00:05 (Vinheta de abertura)

Imagem: Vinheta de abertura. No cabeçalho, tarja retangular com degradê da esquerda para a direita, a partir da cor rosa até a cor laranja. No canto superior direito, a logomarca do Itaú Social. No rodapé, ilustrações de uma cidade composta de casas, prédios e árvores, cada elemento com uma tonalidade da cor laranja, ou mais clara ou mais escura. Na parte central da tela, fundo branco com os seguintes dizeres que vão aparecendo, escritos em azul escuro: “Décimo Terceiro Seminário Internacional de Avaliação Econômica, A relação entre família e escola nas políticas econômicas”.

Áudio: trilha animada

00:05 (Teresa Izquierdo – Fundación CAP Chile)

Imagem: Teresa Izquierdo, da Fundação CAP Chile.

Áudio: Bom, eu sou Tereza Izquierdo. Sou diretora do Programa “Aprender em Família”, que é desenvolvido pela Fundação CAP. É uma fundação dedicada ao desenvolvimento do Chile por meio da educação. Hoje vou falar de um programa que estamos desenvolvendo, chamado “Aprender em Família”. Está sendo aplicado em 60 escolas públicas no Chile e 21 escolas de jardim de infância e berçários em diferentes regiões do país. Elas procuram potencializar a relação e a parceria entre a família e a escola, mas também seu objetivo secundário é fortalecer as competências parentais ou desenvolver uma parentalidade positiva por meio da escola de pais; e também um terceiro objetivo é o fortalecimento da comunidade educacional: as redes, os laços entre as famílias, entre as famílias e as crianças e entre as famílias e a comunidade. É um desafio enorme porque a escola tem dificuldade para abrir as janelas e as portas à família porque estão sobrecarregadas de programas, porque tem havido muita pressão, porque têm muitas horas... têm poucas horas disponíveis para envolver a participação da família. Contudo, quando a escola decide abrir as portas à família para trabalharem juntas, o mais importante para a família é a educação dos seus filhos. Apesar de trabalharem e terem pouco tempo disponível, nossa experiência é que as famílias se envolvem e, quando as famílias se envolvem, muda o ambiente da escola, mudam as crianças. Elas sentem os pais muito mais próximos. Temos tido resultados que vamos contar hoje. São os resultados de uma avaliação de impacto que demonstram que a criança, com o envolvimento da família, melhora seus resultados acadêmicos, melhora o gosto pela leitura, diminui a violência e as crianças percebem a diminuição da violência na escola, os pais também dizem que, em casa, os resultados têm sido surpreendentes. Também melhora o relacionamento pais e filhos. A Fundação CAP promove o desenvolvimento do Chile principalmente na área da educação. E digo que, se a família não se envolvesse, esta equação não funcionaria. Este ano, começamos o programa na Primeira Infância. É um programa muito ambicioso por tentar obter o envolvimento parental de forma integral. Para isso, adotamos três linhas de ação. A primeira é a parceria família-escola. É como potencializamos a parceria e a colaboração entre a família e a escola. Essa linha de ação tem a ver com o modo de capacitação, a maneira de trabalhar com os professores e toda a comunidade educacional para a abertura dos espaços à participação da família. A segunda linha de ação, e objetivo do programa, tem a ver com o fortalecimento das competências parentais, que facilitam o desenvolvimento integral dos meninos e das meninas, potencializam a aprendizagem e diminuem a vulnerabilidade diante dos riscos. E por último, o terceiro objetivo é ampliar e fortalecer os laços entre a família, as redes e a comunidade. Vamos elaborando uma política, passo a passo, e que se traduzirá em um plano de ação com três linhas de atuação: a relação família-escola, a escola de pais e a “Red Creando”. A política define que partimos de um diagnóstico de toda a família e depois define os objetivos a serem trabalhados. E, com tudo isso, vamos definindo normas e procedimentos que vão regular estas relações. Depois, elaboramos um plano anual e fazemos o monitoramento desta política. Neste caso, talvez a parte mais importante seja a escola de pais. É quando convidamos voluntários, inclusive o pai, a se inscreverem como monitores para ministrar os workshops nas reuniões de empoderados. As escolas participam voluntariamente do programa. Este é totalmente patrocinado pelas fundações e depois torna-se sustentável com o tempo. E isto é o programa. Talvez a mensagem mais importante a deixar: quando estamos convencidos, como escola, como professores e sistema educacional, de que o mais importante é construir uma comunidade educacional comprometida e com uma iniciativa que parte da escola mas se abre à comunidade, colhem-se resultados muito melhores nos âmbitos acadêmico e de desenvolvimento. Portanto, isto não significa mais trabalho. Isto é “o” trabalho. Há um provérbio africano muito bonito que diz: precisa-se de uma aldeia inteira para criar uma criança. O que o programa “Aprender em Família” procura fazer é ajudar os pais no difícil trabalho de ser pais, ajudar os professores a trabalhar com a família.

5:57 (Francisco Gallego – PUC Chile e J-PAL)

Imagem: Francisco Gallego, da PUC Chile e J-PAL.

Áudio: Sou professor da Universidade Católica do Chile e também Diretor Científico do escritório para a América Latina do Abdul Latif Jameel Poverty Action Lab, mais conhecido como J-PAL. Acho que é muito importante ter avaliações de impacto como em projetos de envolvimento parental porque há muitos projetos e formas de pensar sobre isso. A maioria é bem pensada no sentido de que esses projetos vêm de modelos conceituais etc. A questão é que, quando se vai à realidade, pode haver alguns problemas. Por exemplo, os professores podem não se envolver com os problemas, talvez as escolas tenham problemas, talvez os pais não entendam, talvez todas as coisas desenvolvidas em laboratório não sejam relevantes na realidade. Portanto, acho que a avaliação de impacto é útil porque ela dá uma ideia se isto efetivamente funciona na realidade. Este é o primeiro ponto. Em segundo lugar... as avaliações de impacto sempre vão mostrar que parte da ação funciona e que parte disso não funciona. Assim, aprende-se basicamente quais do programa estão dando certo e, desta forma, quais partes não dão muito certo. E assim, pode-se reotimizar o programa. Por exemplo, fazer a implementação seguinte com um programa melhor. O projeto “Aprender em Família” é uma maneira complexa de obter o envolvimento parental porque é preciso envolver a escola, os professores, os pais, as crianças, obviamente. O principal desafio foi desenvolver métricas para medir os impactos de todos esses grupos, o que não é fácil porque é preciso medir, por exemplo, “como me sinto na minha relação com meus pais?”. E isso não é fácil. Então tivemos de gastar muito tempo construindo essencialmente as métricas para medir percepções, comportamentos e coisas assim. E isso não é muito fácil. Estou muito feliz porque acho que, no fim, conseguimos fazer isso. Ou seja, obter alguns resultados interessantes e saber que o projeto é muito bom em alguns aspectos e que pode ser melhorado em outros. Um pouco do que podemos aprender com este programa, do ponto de vista de um olhar externo... talvez hoje, para muitos de vocês, já é óbvio falar de avaliação de impacto. Eu queria enfatizar, antes de começar, que, de certa forma, quando se menciona a palavra “avaliação”, a pessoa se assusta um pouco. O mesmo acontece com a avaliação educacional. As crianças vão fazer uma prova, vão receber uma nota... Mas, de certa forma, acho importante destacar que o que se faz com esta experiência, mais do que avaliar, é aprender. Como podemos apresentar este exemplo de programa na literatura científica sobre o assunto? Quando se olha a literatura científica, na minha opinião, há três aspectos importantes a destacar deste programa. Primeiro, como dissemos, está a importância da família e os processos educacionais no sentido mais amplo da palavra, tanto de meninos quanto meninas. Em segundo lugar, tem a ver com o desenvolvimento de habilidades cognitivas, por um lado; pelo outro, de aspectos relacionados com o desenvolvimento das crianças. Ou seja, são dois extremos. Por um lado, se olharem aqui, verão intervenções caras e muito intensas, que procuram atuar com bastante força na escola, nas famílias... Aqui, temos um exemplo de intervenção mais na educação pré-escolar. São programas muito fortes e que, muitas vezes, são muito intensos em recursos. No outro extremo, temos outras intervenções que tentam atingir, por exemplo, a família, enviando mensagens de texto. Aqui há um exemplo. Também fizemos isso no Chile, na tentativa de ajudar a família a lidar com as questões sobre o uso da internet pelas crianças, informando quanto tempo a estão usando, disponibilizando ferramentas... Como se pode imaginar, são intervenções encontradas mais tarde que, de forma simples ou complexa... porque não é fácil aplicá-las na prática! Mandam mensagens de texto às famílias com informações, que podem ser úteis. O programa “Aprender em Família” fica no meio disso. Em que sentido? Trata-se de um programa que é, como viram com a Teresa, é um programa amplo em termos de objetivos. O foco não é igual a estes programas. Quero dizer, em aspectos muito específicos. Uso de internet, por exemplo. Ao contrário, é um programa que tenta abarcar, como viram, muitas dimensões: da família, das crianças, dos professores, da escola, do modo como a escola se aproxima para dialogar com a família. É amplo em suportes pois usa ferramentas diversas, como viram. Usa um calendário escolar, usa o trabalho com os professores, usa algo muito importante no programa que são estas escolas para pais... Em terceiro lugar, tenta entrar na escola não como às vezes acontece com os programas de envolvimento parental: entrando de lado! Como se dissessem: “aqui está a escola, nós ensinamos, desenvolvemos atividades com as crianças etc... e chegam de lado como marcianos ou marcianas para fazer envolvimento parental. Aqui não! A aposta deles é entrar como parte da escola, como uma estratégia em que há compromisso, horas dedicadas etc... E finalmente, como disse antes, há um componente crucial na nossa opinião que é esta escola para pais. É um conjunto de sessões, em teoria, com meia hora ou um pouco mais, seis vezes por ano, durante três anos, que é quando se desenvolve o currículo mencionado pela Teresa. Então, esse é o programa. Como podem ver, é um programa que não é tão intenso, como por exemplo estes que incluem visita domiciliar, certo? E que apresentam algo muito potente e caro, por assim dizer. Nem é um programa que afetará somente uma margem com certas informações esporádicas. Temos uma população elegível. Vamos ter um grupo de escolas, que vão receber o tratamento, que estamos estudando, neste caso; mas o grande desafio a aprender é o fato de que precisamos de um grupo de comparação. Então, temos um grupo de comparação que recebe a intervenção. E o grande desafio é encontrar um grupo que me permita comparar as crianças e as famílias que receberam esta intervenção. Construímos isso com a chamada aleatorização, ou seja, um sorteio. Este é um programa complexo e um programa que atinge muitas pessoas. Então, nós vamos coletar informações das crianças. Bom, primeiro vamos coletar informações das crianças. Vamos usar informações disponíveis no sistema. Por exemplo, frequência às aulas. Vamos pegar informações disponíveis com níveis de classificação obtidos nos exames do Ministério da Educação... Mas também perguntar às crianças, usando questionários, suas opiniões sobre sua convivência familiar, seu relacionamento com a escola, claro! E sua relação entre a família e a escola. Vamos fazer o mesmo com os pais e as mães. Vamos fazer perguntas relacionadas com aspectos familiares, outras sobre o relacionamento entre pais e filhos, outras sobre o relacionamento entre a família e a escola e também sobre sua percepção da escola. Finalmente, há um terceiro agente que também responderá nossas perguntas, que são as professoras e professores. Vamos perguntar a eles e a elas, como no programa, vamos perguntar a essas professoras e esses professores como veem as crianças. Vamos perguntar a essas professores como veem os empoderados. A informação que temos sobre a implementação do programa é que se trata de um programa que já tem um grande sucesso, na minha opinião, que foi a sua implementação com um grau de fidelidade muito alto. Por quê? Por exemplo, não sei se lembram-se que a Teresa disse que havia seis reuniões por ano! Utilizando diferentes fontes de informações, o que descobrimos? Que, na média, são realizadas 5,3 reuniões por ano. E que, de alguma maneira, isto se mantém ao longo do tempo. Então, é um programa que atingiu um nível de implementação de uma de suas dimensões, a qual é a participação na escola dos pais, bastante alto. Em segundo lugar, de alguma forma, as sessões da escola de pais foram implementadas por um par. Por alguém que é outro empoderado, que foi capacitado, foi monitor... E também verificamos que, olhando o processo, há uma porcentagem muito grande dessas sessões, que são implementadas por monitores. Também verificamos, e isto talvez seja secundário, que, no segundo ano de implementação, os professores começam a participar um pouco mais do que antes, o que não é ruim, em princípio. Contudo, o que fizemos foi ver as sessões da escola de pais. Capacitamos um grupo de pessoas, que se sentavam na escola de pais e, de alguma maneira, avaliavam o que acontecia. O que verificamos é que, de fato, como é a intenção do programa, que os monitores desempenhavam um papel muito importante. Quando vamos ver como as sessões da escola de pais são implementadas, vemos que os monitores, pares ou tutores, parecem estar muito bem preparados para realizar as sessões. De fato, melhor preparados do que os professores. De todas as dimensões medidas, que aparecem em amarelo aqui, parece que o programa afeta diferentes dimensões. Afeta, por exemplo, consistentemente o envolvimento parental. Isto foi dito pelos estudantes, seus pais e os professores. Também dizem que parece haver apoio à leitura, em termos de tempo e qualidade, principalmente para os estudantes dos primeiro ciclo. Os pais dizem que melhorou a relação entre família e escola. Os pais também nos disseram que, como podem ver aqui, que melhorou substancialmente o relacionamento com a criança. Isso já é no nível da família, porque o programa não intenciona impactar somente o que acontece na interface família-escola, mas também dentro da família. Então, nessa dimensão, de algum modo, há um impacto importante. Finalmente, os professores. Eles também nos contaram como se comunicam com os empoderados. O relacionamento está mais fácil, os pais estão mais comprometidos. E isto foi perguntado aos professores. Estes responderam que o relacionamento melhorou de fato, principalmente no primeiro ciclo. Contudo, os resultados da avaliação, combinados com a avaliação de processos, sugerem que o que acontece na escola é importante. Em que sentido? Parece que os professores, a participação dos pais, de certa forma, diminui quando trabalham com crianças maiores. Não é somente com a família, de certa maneira, por termos chegado tarde a essa família; mas também tem a ver com o modo como os professores e as professoras recebem este programa na escola. Pode ser afetado pelo que dissemos anteriormente, mas também pode ser por outro fator. Acredito igualmente que é importante enfatizar algo que, na minha opinião, não é novidade em relação a este programa de envolvimento parental e que Susan afirmou, em certo sentido, mais implicitamente esta manhã, que é um programa que envolve com força e sucesso os professores e as professoras. Lembram-se que, no início, eu disse que posso entrar lateralmente dizendo “olha, venho de lado e, apesar dos professores e professoras, eu faço algo”. Aqui não! Este é um programa que conseguiu envolver os professores e as professoras. E, efetivamente, como se pode ver aqui, as professoras e os professores mudaram significativamente sua percepção dos pais. Por exemplo, há uma pergunta no questionário em que há efeitos. E se pergunta aos professores: “você acha que os pais podem ajudar seus filhos a aprenderem mais?”. E o programa, os professores da escola de tratamento mostram uma mudança grande e significativa dessa percepção. Então, acho que isso é importante. Este é um programa que vai à escola e consegue fazer com que professoras e professores mudem. Eu diria que é um programa que consegue, não atingir todos os objetivos propostos, porque é um programa feito por humanos para humanos! Não somos Deus e não podemos acertar em tudo. Mas é um programa que atinge os resultados e que parece apresentar impactos maiores na meninas e nos meninos menores e nas professoras de crianças menores. E é um programa que provavelmente, aproveitando esse aprendizado, poderia ser reotimizado. Talvez concentrar-se mais nos primeiros anos, talvez ter objetivos menos ambiciosos, reduzindo-os e tendo mais profundidade. Um programa que, com base no que podemos aprender desta avaliação de impacto, eu diria que é um programa que funciona e que consegue afetar de forma efetiva dimensões importantes do processo educacional de meninos e meninas, seus pais e dos professores e professoras. Este é um projeto que entra na escola. E o que verificamos é que, os professores, que normalmente são agentes não incluídos em projetos de envolvimento parental, foram bastante afetados pelo programa. Basicamente porque mudaram seu comportamento, mudaram suas expectativas quanto ao que os pais poderiam fazer e também mudaram suas crenças sobre a importância dos pais. Esta é uma parte. A segunda parte é que verificamos impactos sobre a frequência dos alunos às aulas, encontramos impactos como diminuição dos níveis de violência escolar. E também verificamos um aumento em escalas seriais relacionadas com envolvimento parental, especialmente no relacionamento da família com a escola até alguns comportamentos dentro das famílias em termos de apoio às crianças em seus processos de aprendizagem e também um aumento nos vínculos entre os pais na escola.